terça-feira, 6 de julho de 2010

O físico de Anne

E como era bonita. Havia crescido durante a adolescência, media a mesma altura de John, era magra, mas bem distribuída. Comecemos do fim.
Os pés de Anne eram esculpidos com o molde dos deuses, uma relíquia que vivia dentro de tênis vellhos, com doces traços e até, veias à mostra. Então vem as pernas de Anne, pelas quais qualquer caboclo aceitaria morrer, apenas para tocá-las; eram as mais perfeitas que esse mundo já criou, bem desenhadas, com curvas onde deveriam ter e longas. Anne era uma das garotas que tinham as pernas mais longas da vizinhança, e gostava disso.
A garota não tinha muitos seios ou ancas, mas o pouco que havia, era bem curvilíneo, divididos corretamente naquela silhueta fraca. Seus músculos eram poucos também, mas bem definidos para uma menina de 13 anos, ela gostava de exercícios e seu corpo sofria as consequências.
As mãos. Grandes, com dedos longos e tão secas que se viam os nós dos mesmos, mas isso não a interessava, lhe agradava. Raramente pintava suas unhas, e quando o fazia, sempre havia cores. E por fim, o rosto.
Ah, seu rosto. Era de um oval perfeito, uma peça de porcelana moldada com toda a gentileza desse universo, com doces e sutis maçãs, logo abaixo dos olhos profundos e negros, os que sempre parecem estar penetrando na alma de qualquer um; eram moldados por perfeitas sobrancelhas e alguns fios de uma franja mal arrumada que tomava sua testa toda quando solta. Sua boca era de um sangue intenso, perfeitamente desenhada, desejada e, quando se abria em sorriso, haviam as lendárias covas em suas bochechas, que pareciam macias e suculentas. Tudo era coberto por um manto negro de fios bagunçados que lhe tomava conta da cabeça, assimetricamente, pelo fato de que o ocorrido com a navalha era praticado propositalmente dali em diante.
Assim eu defino o corpo de Anne.
Já a alma, essa é bem difícil de descrever. É como se ninguém fosse suficientemente capaz de tê-la tocado, então, explicá-la, é uma tentativa em vão de descobrir um segredo que não se revela desde que o mundo existe.
Portanto, desafio quem quer que se ache apto para descobrir, que desvende a mente de Anne.

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