sexta-feira, 2 de julho de 2010

O lugar preferido

Caminharam por cerca de trinta minutos até chegarem à rua da casa deles. Era no máximo, 18:30 quando a mãe deles os berrou na porta da casa. A casa amarela, a qual Anne chegou já faria seis meses. A experiência daquele dia marcou o primeiro semestre. Muitas iriam marcar.
Mas a casa. Era um sobrado, não tinha um porão, portanto, havia um sótao. Era onde a garota passava a maior parte do tempo, ela nunca saía de casa, achava a rua de casa muito monótona. Aprendeu a ler e a ler coisas boas dentro da menor parte da casa, depois do banheiro no segundo andar que era para ela e os irmãos. A pintura da fachada não era muito bonita mas uma das poucas da rua que não era mofada ou descascada, as telhas eram de um marrom tremendamente escuro, não havia nada na casa que ela não gostasse.
A divisão dos cômodos era feita com os de visita embaixo, e os dormitórios no andar de cima. O sótão claro, era como o segundo andar, então, Anne o chamava de "Caminho para o Céu". Não era crente, apenas pensava no céu como o universo. Calmo, flutuante, escuro e perto do silêncio.
No sótão, ela tinha uma biblioteca, que o pai construiu com madeiras velhas que estorquiu da marcenaria e também, um toca fitas, o qual ela tinha um esmero imenso. As fitas, conseguia vendendo roupas velhas suas para o pequeno brechó, e dava uma parte à mãe. Considerava-se muito intelegível, já que aprendera um pouco de inglês com bandas que descobriu serem pioneiras no Rock.
Guardava as melhores coisas dentro de um furo que fez no colchão com uma faca. Sabia que se a mãe soubesse, a mataria, então, fazia questão de trocar os lençóis ela mesma. A lavanderia era no andar debaixo, perto de onde a mãe, Mary, costurava. A amorosa e rígida mãe já tentara lhe ensinar o ofício, mas, apesar de aprender bem, Anne achava entediante. O tédio não a satisfazia, nunca.
O pai, Joseph, costumava sempre trazer presentes aos filhos e a Mary. Apenas John e Anne eram adotados, a tese do ciúmes de Peter pairava sobre essas circunstâncias. Peter era uma criança extremamente hiperativa e irritada. Qualquer ato de carinho ou o mínimo de atenção que um dos irmãos recebia, Peter reagia verozmente e começava um de seus ataques. Como os irmãos mais velhos já haviam se acostumado, ignoravam todo o choro, contorcionismo e gritos. Tudo a eles parecia uma pequena encenação, se retiravam do cômodo e logo as vozes cessavam; nunca incomodaram muito.

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